Cooperação revolucionária

Na revista Info de abril de 2009 saiu uma reportagem intitulada “hackers de genoma”, nesse artigo é retratada a história de Katherine Aull. Ela montou um laboratório em seu apartamento em Cambridge com alguns equipamentos trazidos de casa e outros comprados no Ebay.
O que ela faz nesse laboratório? Modifica geneticamente organismos. Katherine montou seu laboratório para participar de um concurso para cientistas amadores. Depois de dois meses, Katherine apresentou no concurso um micróbio capaz de realizar operações simples de lógica, que poderá vir a ser o percussor dos computadores biológicos. Ela ficou em segundo lugar.
Outro caso, esse citado no livro de Jeff Howe “O poder das Multidões” é o de Giorgia Sgargetta, que também tem um laboratório caseiro, onde passa suas noites lidando com problemas de pesquisa que tem desafiado alguns dos melhores cientistas corporativos. Giorgia Sgargetta faz parte do InnoCentive, uma rede mundial de cientistas “amadores”.
Entre os clientes da InnoCentive estão grandes empresas com P&G, Dupont e BASF. A InnoCentive entra em cena quando empresas e seu staff de pesquisa e desenvolvimento não conseguem solucionar algum problema. Aí então essas empresas repassam os problemas de pesquisa de uma pequena equipe de P&D para 140 mil cabeças pensantes em mais de 170 países da InnoCentive, afinal 140 mil pessoas são melhor que uma equipe de 100 – 200 pessoas.
A InnoCentive recompensa quem soluciona os desafios em torno de $ 10 mil a $ 100 mil.
Esses cientistas amadores, geralmente não tem como profissão a ciência em sua essência, embora muitos tenham a formação para isso eles acabam ocupando outras profissão pois a ciência pura tem demanda limitada, assim como outras profissões como músico e artes plásticas . Essas pessoas são de fato, apaixonados, que tem a ciência como hobby. Embora a InnoCentive recompense quem soluciona os problemas, esse não é o combustível que move esses cientistas não-profissionais.
Giorgia Sgargetta já solucionou dois desafios para InnoCentive, em um deles inventou um tipo de corante que deixava a água azul quando a quantidade correta de detergente tivesse sido adicionada. Tempos depois ela descobriu que a P&G registrou uma patente fazendo referencia a sua descoberta.
Esse é um belo exemplo de como as redes quebram as barreiras ao capital intelectual ao redor do mundo. Isso através do site da InnoCentive , onde as empresas (anonimamente) expõem seus problemas de P&D e os cientistas cadastrados podem acessá-los de qualquer lugar do mundo.








