Dados abertos sem desrespeito à privacidade
Segundo Douglas MacMillan, da BusinessWeek de Nova York, O Facebook tem bons motivos para estimular as pessoas a serem honestas em relação a quem elas são quando estão on-line. Como o maior site de relacionamentos do mundo, a companhia deverá conseguir uma fortuna se puder ajudar a personalizar a propaganda e as escolhas de produtos às características de cada usuário. Mas muitas pessoas relutam em colocar informações pessoais na internet. Elas se preocupam em confiar detalhes de suas identidades a companhias como o Facebook, que tentam lucrar com as informações que recolhem.
O Facebook pretende criar um cartão de apresentação digital que possa ser usado para identificar as pessoas onde quer que elas estejam na internet. Para ajudar nesse esforço, em agosto o Facebook contratou um dos pioneiros da identificação on-line. David Recordon foi um dos fundadores da OpenID Foundation, uma organização sem fins lucrativos que mantém um conjunto de padrões abertos para a identificação na internet. Ele pretende aplicar os princípios da fundação, de abertura e transparência, ao Facebook. A rede de relacionamentos já permite aos novos usuários que eles se registrem com os nomes e senhas que usam no serviço Gmail do Google, e Recordon diz que acordos parecidos estão sendo negociados com outras companhias.
O Facebook afirma que a maioria dos serviços da internet passa a ser muito útil quando se sabe alguma coisa sobre os usuários. Um dos primeiros exemplos é o Facebook Connect, um programa que permite aos usuários fazer o logon em seus perfis e interagirem com amigos do Facebook em mais de 80 mil sites da internet. Quando as pessoas se inscrevem no YouTube com o Facebook Connect, o site de vídeos destaca os clipes que seus amigos mais gostam. Na posse do presidente Barack Obama, a CNN permitiu aos telespectadores que estavam on-line usar o Facebook Connect para conversar com outras pessoas que estavam assistindo a cerimônia. Quase 60 milhões dos 360 milhões de usuários do Facebook se inscreveram no Facebook Connect nos últimos 12 meses, desde que ele foi introduzido.
Essas mudanças também poderão ajudar empresas a lucrarem com dados do Facebook. Em 2 de dezembro, o Yahoo anunciou uma parceria com o Facebook que permitirá aos usuários da rede de relacionamentos identificarem-se nos sites do Yahoo e compartilharem artigos, fotografias e outros conteúdos com amigos. Numa parte do acordo que não foi anunciada, o Yahoo pretende usar dados dos usuários do Facebook para veicular banners de publicidade on-line direcionados para indivíduos em suas próprias páginas, segundo afirma uma fonte a par do plano. Em tese, isso significa que os anunciantes poderão pagar ao Yahoo para ter anúncios veiculados para grupos demográficos específicos, se os usuários tiverem compartilhado suas credenciais no Facebook com o site.
O Facebook provocou alvoroço este mês quando fez uma série de mudanças em suas configurações de privacidade, que incluíram o cancelamento da capacidade dos usuários de esconderem seus nomes, sexo, quadro de perfil e cidade natal de qualquer pessoa. A companhia também deu aos parceiros do Facebook Connect acesso às mesmas informações. As mudanças “reduziram de várias maneiras a flexibilidade e o controle que os usuários tinham sobre sua privacidade”, afirma Kevin Bankston, advogado da Electronic Frontier Foundation, uma organização sem fins lucrativos.
Os membros da OpenID Foundation também estão levantando bandeiras de alerta. Chris Messina, que faz parte do conselho da fundação, reconhece que a tecnologia de seu grupo não é tão fácil de usar quanto a do Facebook, mas diz que os sites da internet deveriam continuar apoiando a OpenID, uma vez que o Facebook deverá dar mais prioridade aos lucros que à privacidade. “É cedo demais para deixar o Facebook determinar o futuro da identidade na internet”, diz ele.
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