10 tendências de mídia social no jornalismo

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Super-honrada com o convite do Ricardo de Paula para escrever este artigo. Saber que havia pouca coisa a respeito do que eu venho me dedicando, quase 18 horas por dia, por todo ano de 2009 – ao estudo dos impactos das mídias sociais no Jornalismo e na Comunicação Empresarial – soou-me como uma grande surpresa – porque tem sido muitos e cada vez maiores – lá fora e aqui no Brasil.

Como para nós, jornalistas, “o melhor jeito de aprender sobre um assunto é escrever sobre ele”, como bem lembrou em recente artigo o colega José Roberto de Toledo (@zerotoledo), esta foi a forma como resolvi encarar o desafio de entender a tsunami — como, aliás se chamou inicialmente o fenômeno das mídias sociais lá fora – no livro Grownd swell, sobre o qual falo a respeito em meu blog e em um podcast da rádio Mega Brasil online.

Lendo (e não somente em Português, mas principalmente em Inglês, baixando arquivos, vídeos, livros inteiros, entrevistas etc.) ouvindo, vendo, trocando informações com pessoas mais experientes, entrevistando os “geeks” (os que passaram a entender e falar deste mundo, defendendo suas ideias e dando conselhos a respeito), jornalistas – brasileiros e do exterior -, escritores, pessoal da área de pesquisa, evangelistas (outra categoria criada nestes novos tempos, de pessoas que, como diz o nome, literalmente visam a catequizar sobre determinada marca ou produto) e, principalmente, escrevendo, venho me relacionando com este novo mundo.

Pluralidade

Uma das exigências intrínsecas ao relacionamento nas novas mídias é sua pluralidade na forma de se relacionar com e por meio delas. De certa forma, elas te impõem uma diversidade de formas de relacionamento e tudo isso simultaneamente. Por isso, grande parte do que vim aprendendo foi dividida entre podcasts (no meu caso, dicas gravadas em rádio), textos no blog ou mesmo em vídeos compartilhados no You Tube. Haverá outra, em forma de livro – ainda em fase final de construção.

De qualquer forma, como desafio e buscando dar uma palha do que acredito ter aprendido neste tempo todo, busquei sintetizar, especialmente para os jornalistas, um pouco deste fantástico mundo, que envolve diferentes tipos de ambientes, plataformas, aplicativos, linguagens, gírias e “tribos”, interagindo e trocando informações e experiências como nunca antes. Depois de 11 meses imersa ou flutuando neste nesta imensa nuvem, ao qual, inclusive, me linkei de forma inexorável, quase como um vício, eu destacaria 10 verdades ou tendências que refletem-se como impactos sem volta na área jornalística:

  1. As mídias sociais são inexoráveis. Não tem aquela de “não adianta bater, eu não deixo você entrar”, como refrão do jingle do comercial de Casas Pernambucanas. Por isso, os jornais impressos migraram seu conteúdo para a web e diariamente – por meio de seus portais, twittam, se não por meio de seus portais, via seus colunistas, as manchetes e principais notícias para manter linkados os leitores aos seus conteúdos. O diretor editorial do Grupo Estado, Ricardo Gandour não se cansa de repetir a cada evento para o qual é convidado a palestrar: “Nosso conteúdo nunca foi tão lido, mas, ao mesmo tempo, nunca se pagou tão pouco pelo nosso conteúdo”.
  2. Sem qualquer conotação política, a frase do diretor patronal é o sintoma mais cruel das mídias sociais sobre nossa atividade. Por que ao ver o jornalista Daniel Piza perguntar todos os dias, na Tevê – “qual o valor do conhecimento”, ele está, na verdade, colocando sua cara à tapa também, para questionar, subliminarmente, “quanto vale o meu trabalho” – e o de tantos colegas – que detêm conhecimento, discernimento e todos os outros requisitos para diariamente imprimir a qualidade de conteúdo que o Estadão (só para citar um veículo de comunicação impresso) traz diariamente aos seus leitores? E, como ele, os demais profissionais que sustentam a cadeia de um modelo de negócios que, até o surgimento das mídias sociais, era o que garantia grande parte dos empregos que já não existem mais…
  3. Porque é fato 1: O jornalismo impresso perdeu e ainda não achou um novo modelo de negócio que conviva de forma amigável com as novas mídias. E mais – se achar, cada jornal encontrará o seu.
  4. A pluralidade das mídias sociais acabou de vez com modelos semelhantes para os mesmos mercados. Somente no jornalismo impresso, por exemplo, as seguintes propostas ainda estão em discussão:
    a. Há quem aposte no fim do papel e quem continue achando que haverá os que pagarão pelo papel por hábito.
    b. Há quem espera que se pague pelo conteúdo completo de matérias cujo material à disposição na web seja apenas um chamariz ou teaser.
    c. Há outras opções…
  5. Fato 2: Hoje, do Oiapoque ao Chuí, de Nova Iorque a Londres, passando por outras cidades de países mais longínquos, todas as Redações trabalham com menos da metade dos profissionais que costumavam contratar há cerca de 10 anos.
  6. As habilidades dos colegas também devem ser outras e, mesmo aqui no Brasil, uma ampla discussão envolvendo a mudança da grade do currículo foi realizada. Ser multiprocessado é qualidade sine qua non para qualquer jornalista desenvolver várias atividades ao mesmo tempo. Em síntese: para se trabalhar numa Redação, um jornalista deve:
    a. Saber dirigir (veículo de verdade, não necessariamente de comunicação!),
    b. Escrever o melhor Português – porque erro é fator de unfollow e, num processo de seleção, de fator de escolha.
    c. Fotografar – se não também filmar –
    d. Fazer o texto para matérias impressas, além de blogs.
  7. Além disso, as Redações passaram a contar com a figura do repórter-cidadão – enviando material via You Tube, Twitter e outras plataformas – graças à crescente mobilidade e convergência digitais.
  8. E não devemos nos esquecer dos blogueiros. Eles têm representado uma fatia cada vez mais importante e representativa no mundo das mídias sociais – e sem essa de achar que são concorrentes. Convidados para eventos criados especialmente para eles, reverberam notícias e opiniões sobre as mais novas sensações tecnológicas, entre outros importantes fatos.
  9. Apesar de um importante vetor, a velocidade responsável por furos jornalísticos tão importantes no passado, não supera a relevância da credibilidade de conteúdo nas mídias sociais. Quantidade de followers nem sempre significa qualidade de conteúdo. E novos medidores de resultados surgem a cada dia para provar aos investidores em mídias sociais que isso é verdade. Nas mídias sociais, faltando credibilidade, sobrarão posts negativos, tweets tipo mimimis além de outros resultados que, para melhorar a marca, só com muito trabalho de PR (e aí, entramos na seara da Comunicação Empresarial, que merece, por si só um artigo!).
  10. Não confunda nuvem com fumaça. As mídias sociais são mais um mundo onde se pode ser bem sucedido, mas não é para todos, não. O conselho de que “o que é bom para uns pode não ser para muitos outros”, vale para empreendedores e jornalistas antes de se aventurarem com blogs corporativos, perfis em twitter e facebook e campanhas visando viralização. Como já abordei em vários podcasts – que passei a fazer também como resultado de meus estudos, na Rádio Mega Brasil online (www.jornaldacomunicacao.com.br) sem saber objetivo, público, mensagem etc., melhor pensar duas vezes antes de se aventurar – ainda que um dos bordões dos defensores das novas mídias seja o de que “se você errar, dá para consertar rapidamente e de forma barata”. Vai correr o risco?
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