Admirável novo mundo
Depois do último post que escrevi aqui e este no meu blog, sobre aliar as mídias sociais ao jornalismo, fiquei imaginando que bom seria se todos se sentassem à mesa em busca de um final feliz em que todos pudessem ganhar. Imagine só: donos de jornais, de sites e blogueiros e jornalistas, sindicatos, conselhos e o que mais couber nesta trupe – ah, sim, e não se esqueçam dos vendedores, aqueles que sabem vender espaços em blogs, imaginar como literalmente valorizar os conteúdos a ponto de torná-los sonho de CONSUMO.
Todos unidos para somar em cima das vantagens competitivas de cada um neste novo mundo chamado mídia social que – convenhamos – não tem mais volta, mas – se dilacerado, vai mesmo, continuar com picuinhas sem fim. E que só denotarão dor de cotovelo entre intelectuais incrivelmente bem paramentados do ponto de vista do conhecimento e vendedores de ideias que, por mais absurdas que possam parecer, vão encher os bolsos de seus criadores, gerando discussões que não levarão coisa a lugar algum – algo como quando o cachorro corre atrás do próprio rabo.
A briga conteúdo x jornalismo não tem mais razão de existir. Não adianta querer continuar dando murro em ponta de faca. Minha certeza se baseia no simples fato de que o consumidor comum, ou leitor, é quem decide sobre o que e como ele quer ler ou receber suas notícias ou conteúdo. Senão, vejamos:
1. Você acha que ele recebe de graça, mas ele paga, sim: com tempo e atenção.
2. E, ainda, paga mais ao entregar – de graça – informações preciosas que compõe um perfil completo digno de um mailing atualizadíssimo. E isso, sem que o blog ou o site invista um centavo sequer em telemarketing passivo ou ativo. Afinal, geralmente é o próprio consumidor quem preenche todos os dados.
Diferença conceitual
Vale acrescentar aos fatos já citados que os sites ou blogs publicam ainda muita publicidade e, diga-se de passagem, com resultados crescentes para seus donos. Para os que duvidam, eu indico a leitura deste relatório, divulgado pelo IAB Brasil – Interactive Advertising Bureau.
Por sua vez, os sites de jornalismo ainda lutam para encontrar seu novo modelo econômico, defendendo que o jornalismo é um tipo de conteúdo que os consumidores deveriam pagar porque o produto é caro para produzir.
Isso vale para o bom jornalismo. Todo o processo desenvolvido até que a notícia chegue pronta demanda um investimento – dependendo da matéria – que pode ser realmente caro. Da investigação, passando pela apuração de todos os lados envolvidos no fato, mais a checagem dos números referentes ao que se ouviu com fontes fidedignas, muitas vezes pagas, até, uma reportagem para ficar pronta pode requerer vários repórteres, viagens e outros gastos, às vezes semanas até que fiquem prontas.
Não é à toa que o pensamento dos donos dos veículos de comunicação e dos profissionais envolvidos no trabalho de mediar os interesses da sociedade ao buscar apurar e entregar corretamente os fatos para o leitor é, portanto, o de que os consumidores devem arcar com alguns dos custos diretos desta “entrega”.
Visto sob este prisma, o jornalismo poderia ser considerado um conteúdo especializado, eventualmente até entendido como “elitista”. É certo que sempre atrairá audiência. Resta saber se isso representa quantidade ou qualidade de leitores.
Informação de valor
Porque, na esteira do surgimento das tecnologias que propiciaram às pessoas criarem seus blogs e sites, outra questão, da qual não temos como fugir, se fez maior: a famigerada lei da oferta e procura.
O fenômeno das mídias sociais criou a credibilidade dos nichos e uma oferta gratuita de conteúdo – muitos deles muito bons, diga-se de passagem. E com isso nenhum dono de Veículo de Comunicação contava. Não importa se, do lado de cá, o também “dono” de um post ou conteúdo seja um Jornalista, Relações Públicas, Advogado, Dentista, Militar reformado. Desde que o grupo para o qual ele se comunica seja um pessoal que nele confia, ele terá credibilidade suficiente para ser lido ou ouvido e replicado, retwittado, viralizado, evangelizado.
Neste novo ecossistema informacional, as linhas entre conteúdo e jornalismo são confusas. O que se deve levar em conta é se é hora de juntar as forças para criar um modelo que envolva ambos e tirar o melhor proveito disso.
Porque, no frigir dos ovos, o que o leitor continua querendo é a mesma coisa: informação de valor ao que nós publicamos. Ele quer algo interessante e importante o suficiente para experienciar. Esse é o novo curso do trem da História. Você vai pegar ou perder?
Vany Laubé é jornalista, blogueira do Mosaico Social (http://mosaicosocial.blogspot.com), twitteira, professora de mídias sociais via podcast para a Rádio Mega Brasil online (http://www.megabrasil.com/radio/radio.htm), entre várias outras atividades, além de ser empresária. Sua agência é a Mosaico Pró-Comunicação (http://www.mosaicoprocom.com) .
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