Reformulado, MySpace quer ampliar parcerias no Brasil

Como o sucesso de 1985 do grupo Simple Minds, o MySpace está ‘vivo e ativo’. “Só fechamos a porta física, o negócio continuou a funcionar normalmente”, diz Túlio Magalhães, que assumiu a operação da rede social no Brasil em outubro do ano passado como gerente de vendas. “A notícia sobre o encerramento das atividades foi mal dada”, completa.

O que Magalhães classifica como ‘mal dada’, foi o desencontro de informações sobre o processo de reestruturação pelo qual o site de relacionamentos passou em junho de 2009. Com uma redução de 30% no número de funcionários, a companhia anunciou que fecharia escritórios em vários países, entre eles o Brasil. A notícia pegou de surpresa o mercado e os funcionários da empresa. Praticamente todos foram dispensados. “Eles tiveram a opção de continuar na companhia, mas apenas um quis ficar”, diz Magalhães.

myspaceSem sede própria, as atividades do site foram transferidas para o mesmo andar do prédio onde funciona a Fox International Channels (FIC), empresa do grupo News Corp. que passou a dirigir o MySpace fora dos Estados Unidos. Segundo Magalhães, as empresas operam de forma independente.

A equipe do MySpace no Brasil tem hoje sete pessoas nas áreas de vendas, operações e conteúdo. Muitas atividades antes feitas internamente foram terceirizadas. “Ficamos mais enxutos, mas com um modelo de negócios muito viável”, diz Magalhães. Nas últimas semanas, o executivo tem percorrido agências de publicidade para mostrar que a operação do site continua normalmente.

As mudanças no MySpace, que já ocupou o posto de maior rede social do mundo, começaram quando Owen Van Natta, um ex-executivo do Facebook, assumiu a companhia em abril do ano passado. Pouco depois de sua nomeação, Van Natta e sua nova equipe executiva embarcaram em uma rodada de cortes de custos, eliminando 30% da força de trabalho da companhia. Ele também tomou iniciativas para otimizar o site, eliminando características pouco populares como a previsão do tempo e as seções de anúncios classificados. “O Facebook não é a nossa concorrência”, disse ele ao “Financial Times”. “Estamos focados em um espaço diferente”, completou. A estratégia é apostar na segmentação e fazer do MySpace uma referência na área de música e entretenimento, sua vocação natural.

Desde que surgiu, o MySpace foi um ponto de atração de novos talentos. Foi nas páginas da rede social que surgiram nomes como a banda inglesa Arctic Monkeys e a brasileira Mallu Magalhães. “Somos a única rede social com trilha sonora”, diz o gerente do site no país.

No Brasil, são 170 mil perfis de artistas e bandas, quase 7% do total de 2,5 milhões de páginas cadastradas. “Temos alguns projetos grandes para 2010 que vão trazer mais visitantes, faturamento e profissionais para a equipe no Brasil”, afirma o executivo. Entre algumas destas ações estão o lançamento exclusivo do novo disco de um grande artista nacional e uma parceria com um provedor de conteúdo para a indústria fonográfica.

Segundo Magalhães, o faturamento do MySpace virá principalmente de três áreas: publicidade, venda de perfis personalizados para marcas e a realização de shows secretos. Nesta modalidade, uma banda com muitos fãs na rede social é selecionada para participar de um show contratado por uma empresa. Os usuários só ficam sabendo todos os detalhes da apresentação na semana anterior à sua realização.

[fonte: Valor Econômico]

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