A coletiva pessoal e virtual – os prós e contras do uso da tecnologia para divulgar uma notícia
Com a tecnologia “bombando” em todas as áreas, não era de se espantar que ela invadisse o espaço das coletivas de imprensa. As Redações estão cada vez menores, os profissionais vêm exercendo mais de uma função, não raro apurando tanto para o jornal como para o blog, twitter e outras das novas ferramentas com as quais todos nós passamos a lidar com o advento mídias sociais.
Se os jornalistas sequer têm tempo de almoçar, o que se dirá então da disponibilidade para sair de seu QG para acompanhar alguma coletiva? Some-se a este quadro o caótico trânsito que cresce infinitamente com o aumento da frota de carros vendidos com o subsídio de IPI pelo governo, sem a mesma contrapartida de número de ruas e estradas e, mais recentemente, o caos instalado com as chuvas e enchentes e temos o cenário perfeito para usar e abusar da tecnologia do streaming para desenvolver coletivas de imprensa.
Mas será que o uso da tecnologia para este fim, especificamente, é de todo bom? Entrevistada pelo Mídias Sociais, a especialista Martha Gabriel tem uma posição bastante interessante.
Dois lados da moeda
Em sua opinião, por serem binárias, as novas tecnologias podem trazer tanto coisas boas quanto ruins. “Isso não é novo e podemos dar exemplos pré-históricos como a descoberta do fogo, que, ao mesmo tempo que permitiu uma grande evolução para a humanidade também foi usado como arma e instrumento de opressão e conquista. A energia nuclear pode alimentar o planeta ou destrui-lo. E assim vai. Especificamente no uso de novas tecnologias para o relacionamento com a imprensa, acredito também que existam vantagens e desvantagens”, disse.
Para Martha Gabriel, apesar das coletivas via streaming trazerem a vantagem de um público maior ter acesso a elas, por outro lado quem está à distância não tem a mesma possibilidade de interagir na coletiva como quem está presente, o que é uma desvantagem.
Martha Gabriel vai além quando salpica as entrevistas por email.” Se por um lado elas facilitam o trabalho do jornalista e dão um tempo maior para o entrevistado refletir e responder às questões, por outro lado o jornalista perde o fator “surpresa” de uma pergunta feita ao vivo, que pode extrair muitas vezes informações “quentíssimas” justamente porque não houve tempo do entrevistado em refletir e formular uma resposta mais elaborada”.
O corpo-a-corpo, a interação presencial, continuam sendo, na sua opinião, muito válidos e a forma mais rica de interação. No entanto, nem sempre isso é possível e, nesses casos, o uso das tecnologias de comunicação podem viabilizar o contato, mesmo que isso incorra em algum tipo de perda. Assim, a tecnologia possibilita que ações jornalísticas que não se realizariam possam acontecer, resultando em grande benefício em muitos casos.”
Seja como for, o caso é que há muita gente usando o streaming, e eu defendo a causa, acreditando no seu potencial e incremento para enriquecer esta vivência: a agência Ideal, que atua como PR Agency e SocialMedia Agency, usa e abusa do recurso de coletiva de imprensa via streaming, twittando resultados quantitativos alcançados com a ferramenta. A S2, Assessoria de Imprensa que cresceu muito em função de seu nicho de atendimento às empresas do setor de TI também segue um caminho similar. Tendo em seu portfólio a Microsoft, de quem recebeu o certificado de Windows Media Service Provider — o que a empresa só deu para 10 empresas em todo o País –, dispõe de uma área só para isso, capitaneada por Rubens Meyer, que costuma dar workshops sobre como usar a tecnologia e também incorporar o vídeo no dia a dia de assessorias. Ele estará novamente na próxima edição do #WebExpoForum (http://www.webexpoforum.com.br) para falar sobre as tecnologias do streaming.
Mas e quando os experts em social media não se envolvem com a Assessoria de Imprensa?
Além da entrevista com Martha Gabriel, solícita e gentil, tentei contato com Juliano Spyer como fonte para esta matéria – mesmo de forma rápida, via Gtalk, mesmo. Também expert das mídias sociais, historiador de formação, três livros em sua recente história de escritor, atualmente está embrenhado em cuidar da campanha da Marina Silva, depois do sucesso que foi a do prefeito Gilberto Kassab nas primeiras eleições em que a internet foi liberada.
Sua participação relâmpago resumiu-se a um dado que eu, particularmente achei estarrecedor — o de que a razão pela qual ele não tem usado o streaming é porque ele não é assessor de imprensa. Não satisfeita, provoquei-o. Mesmo ele sendo o responsável pelas estratégias de uso das mídias sociais, não seria o caso de ele recomendar seu uso para a interação com as mídias sociais via streaming, com a assessoria de imprensa da candidata? Silêncio, fim da entrevista.
Bottom-line: Há casos e casos, claro, mas o recurso está aí, é “bola cheia”, parafraseando o Tadeu Schimdt, do Fantástico. Participei de algumas, não muitas, mas gosto e acho ótimo, quero e aplaudo.
Seja para jornalistas de veículos ou blogueiros, é uma opção e tanto para aumentar o potencial de alcance das mensagens-chave de um cliente, fazendo-as viralizar. Em caso de chuva, acidente ou mesmo algum outro evento de última hora que concorra com o seu, dependendo da editoria, ainda que o quórum presencial caia, a audiência será garantida com a entrada em cena do escalão plantão do veículo para a devida cobertura, coisa que jamais ocorria no passado porque simplesmente era impossível enviar alguém para o local.
Se você é de jornal, está com sua participação garantida. Quanto aos detalhes da participação, os pontos aqui apresentados servem de alerta para que as ferramentas sejam melhoradas. É isso o que importa! Já, se você é o assessor de imprensa, sua fonte não tem o que temer. E ele deve se sentir assim, como se fosse Presidente da sua República, falando meia hora em cadeia nacional – é essa a forma que acredito, para ele não achar que tem que ter coleguinhas lá, ele tem que se sentir. Com uma audiência MUNDIAL – como foi quando Tiger Woods falou em streaming. Com a viralização do anúncio de sua coletiva, mesmo havendo jornalistas lá, ao vivo, cobrindo o evento, o mundo todo parou para ouvi-lo. E nem apenas jornalistas. Quem pôde, simplesmente parou e o ouviu. Como se fosse ele próprio, a fonte mais importante do planeta, naquele momento.
Vany Laubé é jornalista, blogueira do Mosaico Social (http://mosaicosocial.blogspot.com), twitteira, professora de mídias sociais via podcast para a Rádio Mega Brasil online (http://www.megabrasil.com/radio/radio.htm), entre várias outras atividades, além de ser empresária de sua “eugência”, a Mosaico Pró-Comunicação.
Siga-me no 






