Tecnologia versus estoque de conhecimento
Vocês conhecem o vídeo Pasta de Dente? Precisam conhecer! O vídeo é trecho de uma palestra de Mario Sérgio Cortella, que conta um caso verídico ocorrido em uma estupenda multinacional que fabrica de tudo desde sorvete, a suco e pasta de dente. No caso contado, dá para perceber a relação da tecnologia versus o estoque de conhecimento e que às vezes aquela perde e feio para este. E sabe por que isso ocorre? Pelo simples fato de ouvir as pessoas que estão ali vivenciando algum problema e que muitas vezes dão o jeitinho brasileiro buscando soluções alternativas, sem precisar investir em algum tipo de maquinário.
Me interessei pelo assunto e fui saber mais sobre como o estoque de conhecimento pode afetar na nossa vida profissional e no cenário empresarial Descobri o livro Como as organizações gerenciam o seu capital intelectual – Métodos e aplicações práticas de Thomas Davenport e Laurence Prusak. Confesso que ainda não o li todo, mas já aproveito para citar algumas partes interessantíssimas, como a frase que o presidente da Hewlett-Packard (HP), Lew Platt, disse certa vez: Se a HP soubesse o que a HP sabe, nossa rentabilidade seria três vezes maior.
Olha se não é fácil de entender: uma empresa nada mais é do que um conjunto de pessoas organizadas para produzir algo (produtos, serviços, ou ambos) e a capacidade de produção da empresa depende daquilo que ela sabe (do que as pessoas sabem) e do conhecimento aplicado nas rotinas de produção. Não é? Então, essa empresa só terá sucesso se as pessoas souberem o que estão fazendo e se demonstrarem competência no que fazem. Logo se é este saber fazer que define o que a empresa é (ou faz), então o estoque de conhecimento realmente simboliza a empresa.
Por isso este termo me intrigou tanto e por isso também é importante entender o papel do estoque de conhecimento nas organizações, principalmente para entender como algumas empresas são sistematicamente bem-sucedidas. Pois quando pessoas, tecnologias, produtos, processos e ambientes de negócios mudam no decorrer do tempo, o que permanece? O que cria a continuidade que possibilita a determinadas empresas prosperar no decorrer do tempo? O livro A estratégia do Oceano Azul fala em movimentos estratégicos (mas isso é assunto para outro texto), porém Thomas Davenport e Laurence Prusak acreditam fortemente que a maneira como as empresas produzem e transmitem o conhecimento é parte essencial deste sucesso contínuo.
Em casos de empresas familiares o estoque pode estar todo concentrado no conhecimento do fundador da empresa. Em outras, pode ser que o estoque esteja na aplicação do conhecimento no processo de preparação e sucessão das lideranças. Em outras pode estar na gestão da comunicação interna.
E o que nós Relações Públicas temos a ver com isso? Creio que um pouco sim, pois tornou-se evidente para nós a necessidade de estudar como o conhecimento é gerido, mal gerido e não gerido nas organizações. E o livro aponta alguns caminhos, partindo do raciocínio de que o conhecimento deriva da informação, da mesma forma que a informação deriva de dados (transformação de dados em informação e informação em conhecimento). Nesta transformação todo trabalho é realizado pelas pessoas e é possível relacionar estas variações a partir da análise dos 4 Cs:
Comparação: de que forma as informações relativas a esta situação se comparam a outras situações conhecidas?
Conseqüências: que implicações estas informações trazem para as decisões tomadas?
Conexões: quais as relações do novo conhecimento com o conhecimento já acumulado?
Conversação: o que as outras pessoas pensam desta informação?
Mas para poder relacionar é preciso entender quais são os fatores que propulsionam a formação do estoque de conhecimento nas organizações. Thomas Davenport e Laurence Prusak tratam de alguns pontos, mas aqui vou focar só em um: normas práticas.
Normas Práticas: O conhecimento é entregue em meios estruturados, como livros e documentos e também de contatos pessoa a pessoa, como simples conversas ou relações de aprendizados. Títulos ou posições são os sinais formais mais comuns de quem tem ou deveria ter conhecimentos valiosos…[contudo] é possível que os melhores sinais do mercado do conhecimento – embora ainda periféricos – fluam pelas redes informais que se desenvolvem nas organizações. Dentro dessas redes, as pessoas perguntam umas às outras quem conhece o quê., citação do livro.
Isso não tem tudo a ver com as nossas plataformas sociais on line? Não tem tudo a ver com a gente, com o que trabalhamos e com o que vivenciamos no dia-a-dia? Eaí, já criou um blog ou um formspring para armazenar e gerir o estoque de conhecimento da tua empresa? Está esperando o quê?
Mateus Martins, editor do blog WWW.ocappuccino.com
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