As redes sociais darão fim ao www?
Eu estava lendo na Wired um artigo muito interessante do Chris Anderson que fala sobre o impacto das plataformas semifechadas e como elas podem determinar a maneira como usaremos a internet no futuro. Uma grande tendência nos Estados Unidos é que os usuários, apesar de passarem o dia conectados, cada vez menos usam a World Wide Web. O que está acontecendo é uma migração da rede ampla para plataformas fechadas como o Facebook, por exemplo.
O autor cita uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center, que aponta que entre 57% e 64% dos norte-americanos – dependendo da faixa demográfica e etária – usam preferencialmente aplicativos no celular ou smartphone (fechados) para se conectar online.
Segundo esse conceito, as redes sociais e aplicativos seriam os condomínios, enquanto a web e seus bilhões de sites e arquivos seriam as cidades. Segundo a analogia do autor, por que sair do condomínio para ir ao supermercado, quando se tem um centro de conveniências logo ali – as plataformas semifechadas têm a vantagem da praticidade.
Enquanto o Google é o símbolo da web aberta, o novo modelo semifechado traz Steve Jobs, com o iphone e o ipad, que funcionam através de aplicativos, e Mark Zuckerberg, com sua rede social de 500 milhões de usuários como os líderes de um novo modelo.
O anúncio nesta segunda-feira do novo sistema de mensagens do Facebook que integra email e SMS mostra que Mark Zuckerberg deseja transformar a rede social em um condomínio de luxo, dando um gás ainda maior na tendência das plataformas semifechadas. O difícil é acreditar que uma rede fechada, que nos oferece praticamente tudo, sem termos que ficar pulando de site em site, não irá querer nada em troca.
É curioso ver o conceito de mídia social, que está intrinsecamente ligado ao conceito de crowdsourcing enfrentar tal paradoxo. As redes sociais e os aplicativos surgidos na era da web aberta podem se tornar grandes ilhas, auto suficientes, a tal ponto de não precisarmos mais sair delas.
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