O índice de interações com objetos em mídias sociais

525 350 ricardo caputo de paula

Algum tempo atrás, depois de observar as dinâmicas dos relacionamentos que envolvem as mídias sociais, resolvi criar uma escala que visa facilitar o entendimento sobre as formas de interação em relação a um objeto social. Esse índice se divide em 3 níveis, que são classificados de acordo com o grau de comprometimento cognitivo que sofre cada tipo de ação. Estou republicando hoje com algumas atualizações.

NÍVEL 1 – INTERAÇÃO NÃO PROCESSADA

O nível 1 da minha escala envolve interações com baixo grau de comprometimento cognitivo por parte dos usuários. São aquelas interações que não requerem envolvimento significativo, não cobram qualquer tipo de raciocínio, criatividade ou habilidade para resolução de problemas.

Esse nível de interação obtém um maior grau de adesão por parte dos visitantes, pois exige um grau mínimo de assimilação das ferramentas, assim como das informações apresentadas, não sendo necessário converter uma experiência em torno de determinado objeto social em uma opinião, pensamento ou algo mais complexo.

As interações de baixo grau cognitivo, muitas vezes, são o primeiro passo para tornar um objeto social.  Quem não se lembra do antigo sistema de classificações do Youtube?

Este sistema exigia pouco esforço cognitivo dos usuários e apresentava cinco opções de classificação. Ele foi substituído por um sistema ainda mais simples, que oferece apenas duas opções e exige ainda menos dos visitantes. Para utilizá-lo não é necessário nenhum tipo de comprometimento mental, bastando um clique do mouse para interagir com o objeto social.

sistema like youtube

O objeto social em questão são os vídeos do Youtube, e esse tipo de interação é o termômetro que revela a popularidade dos mesmos. Isso oferece uma forma fácil e rápida para os usuários exporem sua percepção em relação a determinado objeto, sem se comprometer de forma mais aprofundada com o conteúdo ou a ferramenta em questão.

Essas interações podem ser adotadas em todos os tipos de sites, nos mais variados ramos de atividade. O Google Play, por exemplo, usa o sistema de ratings em torno de seu objeto social, que são os apps, filmes e livros.

A maioria das pessoas se baseiam nessas recomendações para baixar ou comprar alguma coisa na loja.

google play

Aqui no blog, eu utilizo o botão “curtir” do Facebook e demais “shares”para o nível 1 de interação, que como vantagem se converte também em uma fonte de tráfego.

NÍVEL 2 – INTERAÇÃO PROCESSADA

As interações processadas, em relação ao nível 1, exigem um grau maior de cognição. Elas requerem a conversão de informação em opinião ou pensamento, e em alguns casos, um maior grau de intimidade com a ferramenta ou assunto. Isso demanda um maior esforço do usuário, e o leva obrigatoriamente a desenvolver um raciocínio.

As interações processadas são inerentes a um maior grau de comprometimento. Eu e grande parte dos usuários que navega na rede, fazemos uso, na maioria das vezes, do nível 1 para interagir com determinado objeto social, pois são poucas as ocasiões que estamos comprometidos ao ponto de expressarmos uma ideia ou opinião sobre alguma coisa, ou nos darmos ao trabalho de se cadastrar na ferramenta, etc.

Esse tipo de interação, basicamente é feita através de textos, como comentários em blogs, portais de notícias, sites de compartilhamento de vídeos e fotos – tudo girando em torno de um objeto social, que pode ser um post, uma notícia, um vídeo, uma foto, etc.

NÍVEL 3 – GERAÇÃO DE CONTEÚDO

A geração de conteúdo exige um elevado grau de comprometimento por parte dos usuários e na maioria das vezes está vinculada a uma recompensa psicológica ou material.

A Coca-Cola, por exemplo, criou uma ação que chamava os usuários a criar suas próprias latas de refrigerante e enviar fotografias ou artes.

Este caso exigia um alto grau de envolvimento por parte dos usuários, que tinham de lidar com regulamentos, usar a criatividade para criar e saber como fazer uso da nova ferramenta para enviar o material.

Um grau de comprometimento desse nível, dificilmente seria possível sem algum tipo de recompensa. Nesse caso, pode-se dizer que houve tanto recompensa psicológica, que era ter a latinha escolhida como uma das ganhadoras do concurso e exposta para milhares de pessoas no site – como material – no fim da promoção 1.000 ganhadores tiveram uma caixa com 6 latinhas de Coca-Cola entregues em suas portas tendo os seus próprios desenhos estampados nelas.

Girl using mobile smart phone

    ricardo caputo de paula

    Empreendedor, analista e pesquisador. Pioneiro em aplicações empresariais envolvendo mídias sociais. Fundador do midiassociais.net.

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    6 comentários
    • Tallis Gomes

      Ricardo;

      Vou deixar o clichê ” primeiramente gostaria de parabenizá-lo…”; pois se estou prestando o papel de interagir em nível 3 com este blog, é porque já sou um heavy user e portanto admiro seu trabalho.

      Minha dúvida se encontra na seguinte questão. Você acha que os níveis de interação devem ser selecionados para aplicação em um veículo de acordo com o target que você deseja assistir? Ou você acha que devemos utilizá-los como ferramentas estratégicas em conjunto. Por exemplo, utilizar o nível 1 para incitar uma interação que por sua vez possa se tornar nível 2 e por final te possibilita a montar uma ação e obter resposta com o nível 3?

      • Ricardo de Paula

        Tallis, na verdade sua interação seria de nível 2 🙂 Sobre sua pegunta, eu acho que não. Estaria ligado ao objetivo e isso diz respeito a parte de estratégia. As pessoas dificilmente interagem mais de uma vez com um objeto social e seu nível de interação não irá aumentar sem algum tipo de estímulo. Ações como essa citada no post exigem a criação de conteúdo e por isso apresenta estímulos para motivar os usuário. Grande abraço e obrigado pelas palavras!

    • Daniel Soberas

      Olá Ricardo.

      Muito bacana a matéria e principalmente o site. Faz juz as várias recomendações que recebi. Eu tenho um blog, ainda no começo, que falo sobre marketing digital e mídias sociais e utilizarrei bastante o site como referência. Inclusive, coloquei o link de vocês na minha relação de links do blog.

      Abraços

    • Nei Grando

      Muito bom, quando comentamos também interagimos, com sugestões, críticas, opiniões, e até mesmo agregando conteúdo ao artigo original.

      Creio que vocês também vão gostar deste post que mostra a importância da confiança nos relacionamentos em rede e fala ainda sobre Capital Social, Networking e Midias Sociais: “Agentes de Confiança” (Trust Agents): http://wp.me/pMSqs-G

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